Anti-Amerikanismus

Anti-Amerikanismus

Segue mais um verbete da reportagem da zitty (Das Berlin Lexicon):

Anti-Amerikanismus, in Deutschland beliebte Geisteshaltung, die einheitsstiftend wirkt. Der A. hat den als positiven empfundenen, aber dennoch trügerischen Nebeneffekt, dass sich Deutsche mit seiner Hilfe als Pazifisten fühlen dürfen. Verwechslungsgefahr mit berechtiger Kritik an der US-Außenpolitik.

Antiamericanismo, postura bastante cultivada por alguns na Alemanha, que dá a ilusão de unidade. Essa postura é sentida como positiva, mas também é enganadora, quando leva os alemães a se sentirem pacifistas. Cuidado: não confunda o A. com uma crítica justificável à política externa norte-americana.

O primeiro ponto de discussão nessa tradução, é o de Geisteshaltung. Ela pode significar, entre outras coisas, uma atitude mental, uma mentalidade, uma postura. Consideramos como opção o uso de postura ideológica, mas concluímos que essa tradução não é apropriada: o cunho de ideologia não está indicado no texto, e há indicações de que há um certo tom irônico, de crítica a essa postura, como um modismo, algo bem diferente de uma ideologia. Em [1], define-se Antiamericanismo como:

Antiamerikanismus als Qualifizierung einer politischen Einstellung, die nicht nur die westliche Schutz- und Vormacht USA diffamiert, sondern zugleich die Zugebörigkeit der Bundesrepublik zur westlich-demokratischen.

Aparece aí um novo substantivo para definir o vocábulo: Einstellung. Nesse contexto, Einstellung pode ser traduzido como modo de pensar, atitude, mentalidade. Esses significados se aproximam de “postura”, que figurativamente, segundo [2] é um ponto de vista, uma maneira de pensar e agir, uma atitude. Dada essa intersecção dos significados, optamos pelo uso de postura, para traduzir Geisteshaltung.

A seguir, vem o problema de como passar a idéia que quis ser dada com o uso do adjetivo beliebte, para qualificar Geisteshaltung. Nesse contexto, nota-se uma certa ironia, no sentido de que é uma postura adorada, como se estivesse na moda ser antiamericano. A tradução literal de beliebte não é muito informativa, nem passa a ironia no mesmo tom do original. A solução adotada foi o uso de um quantificador (não presente no texto original), que atribui essa postura a alguns grupos específicos. Uma outra solução considerada foi o uso de postura cultivada por alguns grupos, ao invés de postura cultivada por alguns, mas acabamos optando pela última. O problema é que essa informação não é dada de forma direta no original, e sim por uma escolha de um adjetivo que dá uma idéia irônica.

Logo adiante, temos outro termo que tem tradução complicada: einheitsstiftend. Literalmente é algo que incentiva a união, mas com essa tradução, o sentido de união fica um pouco solto: união de quem, entre quem? Para solucionar esse problema adotamos como tradução “unidade”, e tiramos o sentido de stiftend e wirkt, juntando eles em “dá a ilusão de”.

Temos então uma oração participial extendida, que oferece outro desafio na tradução. Optamos por reestruturar a frase, removendo alguns termos como Nebeneffekt e mit seiner Hilfe, que ficam subentendidos pelo contexto, dando uma maior leveza e fluidez ao texto.

Por fim, temos uma frase bem sintética no final, sem verbo algum, no sentido de aviso ou advertência, através do uso de Verwechslungsgefahr. Optamos também por reestruturar a frase, transformando-a num aviso direto, com o emprego de “Cuidado” e usando o imperativo. A tradução fica mais longe de uma tradução literal termo a termo, mas o conteúdo semântico se aproxima mais do intencionado no texto original.

Referências:
[1] Gesine Schwan (1999). Antikommunismus und Antiamerikanismus in Deutschland. Baden-Baden: Nomos.
[2] Aurélio B. de Hollanda. (1999) Novo Dicionário Aurélio Séc XXI. Ed. Nova Fronteira.

Comentários

Essa tradução reforça vários conceitos importantes em um trabalho de tradução, principalmente a necessidade de se desvencilhar da ideia de uma tradução literal termo a termo, em prol de uma tradução que transmita melhor a mensagem original ao seu leitor.

Em particular, a tradução de textos que falam de espírito político é uma das mais difíceis, pois você precisa passar toda uma bagagem cultural que é necessária para interpretar o texto que simplesmente não pode ser assumida como conhecida.

Nesse sentido, é curioso ler artigos sobre o Brasil e a política brasileira por exemplo, em publicações internacionais, que você passa a ter uma sensibilidade maior sobre os tipos de desafios encontrados.

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